Descendentes de alemães lembram perseguição no RS na 2ª Guerra, em G1 - Rio Grande do Sul - RBSTV

Pioneiros 20 de Julho de 2017
Aposentado Helmut Roll lembra de perseguição em 1942.
Imagem: Acervo G1 RBSTV

Aposentado Helmut Roll lembra de perseguição em 1942. Imagem: Acervo G1 RBSTV


No estado, casas, lojas e igrejas foram os principais alvos da revolta. Famílias inteiras precisaram fugir e se refugiar em comunidades próprias.


A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial deu início a uma onda de violência contra imigrantes germânicos por todo o país. Após ataques a 6 navios na costa brasileira em 18 de agosto de 1942, a população saiu às ruas e destruiu estabelecimentos que tinham alguma ligação com os países considerados inimigos, como a Alemanha. No Rio Grande do Sul, casas, lojas e igrejas foram os principais alvos da revolta.

Os imigrantes alemães foram perseguidos e muitos acabaram sendo torturados. Famílias inteiras precisaram fugir e se refugiar em comunidades próprias, conhecidas como colônias e que até hoje mantêm a cultura germânica. A língua alemã e os cultos luteranos foram proibidos. A torre de uma igreja em Cerrito, que na época pertencia a Pelotas, na Região Sul do estado, foi derrubata com dinamites.

Aposentado Helmut Roll lembra de perseguição em 1942 (Foto: Reprodução/RBS TV)

Aposentado Helmut Roll lembra de perseguição em 1942
Foto: Reprodução/RBS TV)

 

"Na antena da igreja, diziam que o para-raio servia como rádio para se comunicar com a Alemanha", lembra o aposentado Helmut Roll.

Em Pelotas, o clima de medo se espalhou pela cidade. Muitas famílias deixaram suas casas, que foram invadidas. Os moradores pegaram poucos alimentos, alguns cobertores e fugiram para o mato. Era inverno, fazia frio, e algumas pessoas permaneceram escondidas em matagais por até duas semanas.

"No mato, eles tinham que ficar em silêncio total. Na época, as famílias tinham muitos filhos. Precisavam abafar o som das crianças para elas não chorarem. Todos tinham muito medo de serem pegos", relata a agricultora Glessi Vellar Hepp.

Os assentamentos construídos pelos imigrantes alemães perseguidos transformaram-se em colônias penitenciárias. Qualquer descendente que quisesse se deslocar para outro local precisava comparecer na delegacia e pegar um salvo-conduto. "O direito de ir e vir dessas pessoas foram confinados e aprisionados pela polícia. Houve uma criminalização dos alemães", comenta José Plínio Fachel, historiador autor de uma tese de doutorado sobre a época.

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Depois da guerra, o governo brasileiro reconheceu e indenizou algumas famílias. A viúva de um dos comerciantes que perdeu praticamente tudo diz que o discurso do marido era de paz. "Ele nunca falou em ódio. Só contava que poderia ter salvado mais coisas", relembra Hilma Tessmann. A bisneta do comerciante Pedro Steffen Munsberg relata que o bisavô foi preso e torturado dentro de uma igreja sob acusação de transportar armamentos de origem alemã até o local. "Ele era a única pessoa na época que possuia um caminhão, que servia para carregar mercadorias e também para o transporte de pessoas", conta Adriana Munsberg. A família ainda tenta provar na Justiça que Pedro foi morto após ter sido torturado.

Torre de igreja foi derrubata com dinamites (Foto: Reprodução/RBS TV)

Torre de igreja foi derrubata com dinamites (Foto: Reprodução/RBS TV)

 

Um morador de Cerrito era criança mas ainda guarda as lembranças da época. Após ver a igreja ser demolida, ele ajudou a refazê-la. "Ela foi queimada, mas depois reconstruída com a ajuda da comunidade", lembra Ervino Hepp.

"O Rio Grande do Sul viveu uma onda de barbárie. Os descendentes de alemães que não seguiam a cultura e o catolicismo eram chamados de hereges. Isso até hoje reflete em um atraso econômico para a região Sul do estado", conclui o historiador José Plínio Fachel.

 

O texto original e o vídeo podem ser acessados no link:<http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/07/descendentes-de-alemaes-lembram-perseguicao-no-rs-na-2-guerra.html>. Acesso em 19.7.2017.  

 

Obs.: Reproduzimos a matéria feita  pela conceituada RBS TV, de Porto Alegre, por sua pertinência histórico-cultural com a região do Oeste do Paraná, onde residem centenas e centenas de pioneiros de descendência alemã e italiana  e que viveram situações semelhantes aos narrados na reportagem em seus estados de origem: Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A pioneira Olinda Camila Wolfart Witeck recorda que a sua família - pais e irmãos - viveu semanas de muita angústia.  Sempre com medo que a qualquer momento a polícia viesse prendê-la, por ser descendente de alemães e não conseguir se expressar em português. Para evitar qualquer surpresa durante a noite, a família se abrigou e dormiu no mato por um longo tempo e escondeu toda a literatura alemã. 

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