Pioneiro Eustáquio Prates Santander

01 de Setembro de 2019

"Eu fui aluno da primeira escola construída na Fazenda Britânia".

Ouça a entrevista

Eustáquio Prates Santander, pioneiro da antiga Fazenda Britânia, nasceu em 20 de setembro de 1936 no núcleo Rio Branco, também denominado antes de Porto 12 de Outubro¹ ou Porto Núnez, junto ao Rio Paraná (agora submerso pelas águas do reservatório da Itaipu Binacional). É filho da brasileira Ramona Benitez² e do paraguaio Sandálio Prates Santander³.

O pioneiro foi aluno da primeira escola instalada na antiga Fazenda Britânia, construída no núcleo Rio Branco, da qual foi professor Raphael Garcia⁴.

Em conversa fora da entrevista, Eustáquio Prates Santader, entre informações repassadas e descritas anteriormente, nominou todos os moradores que residiam no Rio Branco, além de sua família: Paschoal Gomes, Paschoal Rejala, Guilhermo Aquino, Pedro Souza, José Mareco, Paulino Gimenez, Amadeo Morel, Francisco Figueiredo (tio de sua mãe), Guilhermo Lopez, Sebastião Gonçalvez,  (...) Carmona (exercia a função de inspetor de quarteirão no Rio Branco), Theófilo Guerra, o espanhol Ovieiro e José Gulka, este último não de origem paraguaia. O informante desconhece a sua origem.

Perguntado de onde provinha a alimentação dos moradores, o pioneiro informou que a comunidade, além da criação de animais domésticos, cultivava feijão, mandioca, batata e muita laranja. E aquilo que não era possível produzir e, no entanto, era necessidade, vinha da Argentina. Recorda dos vapores Salto, Espanha e Cruz de Malta que ancoravam no porto trazendo mercadorias.

Eustáquio Prates Santander casou com Cristina Freitas em 08 de novembro de 1960, na cidade de Corbélia (PR), para onde o casal tinha se dirigido para trabalhar. Cristina Freitas é natural de Campanário⁵ (MS), filha do casal Maria Joana (nascida Centurion) e João Freitas.  O namoro começou quando os pais já moravam na cidade de Guaíra e Eustáquio prestava serviço militar no quartel local.

A partir de 1977, Eustáquio Prates Santander e família fixaram residência em Raul Peña, Paraguai, onde o rondonense Plínio Kleemann desenvolvia um projeto de colonização.

Ali foi auxiliar de medições de lotes e perfurava poços aos novos moradores. Somente retornou do Paraguai e passou a residir em Pato Bragado para tratamento da saúde da esposa, falecida nos anos seguintes. Descapitalizado com os gastos que teve com a mulher, o pioneiro ficou sem condições de retornar para Raul Peña. Reside em Pato Bragado como aposentado, em casa alugada e aposentado (13.12.2019).

 

¹ Era ponto de embarque de erva-mate e madeiras da empresa argentina Núñez Y Gibaja¹͘͘˙², com sede em Posadas, Misiones. Eram sócios-proprietários Pedro Núñez e Lázaro Gibaja (NÚÑEZ. 1997, p. 39).

Mais tarde neste local do porto, outra empresa argentina, a Compañia de Maderas del Alto Paraná, com sede em Buenos Aires, instalou uma fábrica de extração de essências por destilação, de erva-cidreira, laranja-apepu¹˙² e flores. O produto extraído era exportado às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, transportado por terra até Guaíra e de lá Rio Paraná acima até a cidade paulista de Presidente Epitácio, de onde as barricas com as essências seguiam de trem até o destino final (NIEDERAUER, 2011, p. 37 e 38).

 

¹˙² É uma espécie forasteira, conhecida cientificamente com Citrus aurantium, originária do sudoeste asiático. Foi introduzida no Brasil nos tempos coloniais. Sua dispersão acontece via zoocoria (mamíferos e aves) e cresce no fragmento de sub-bosque (RUDOLFO, 2008, p. 1).

Era extraído o petit-grain das folhas secas e das cascas da fruta. É uma essência oleosa aromática usada no fabrico de perfumes e na aromaterapia (nota do pesquisador).

 

¹˙³ A empresa foi proprietária do Imóvel Lopeí, situado entre os atuais municípios de Toledo e Cascavel. A área foi adquirida do Governo do Paraná em 25 de agosto de 1905, por compra a título pleno. Anos mais tarde a empresa posadenha repassou o imóvel ao argentino Teodoro Mateo Soldati¹˙³˙¹ (NIEDERAUER, 2011, pp. 20 e 21).

¹˙³˙¹ Quando iniciou o processo de ocupação/colonização do Oeste do Paraná, Soldati começou um processo de loteamento de sua área e passou a vender lotes a colonos. Chegou a instalar uma imobiliária em Toledo. Sabe-se que procuradores constituídos enquanto ele se deslocava para temporadas na Argentina, transferiram ardilosamente elevado número de lotes aos seus próprios nomes (nota do pesquisador).

* O historiador toledano Ondy Hélio Niederauer assinala que Teodoro Mateo Soldati foi sócio da empresa Núñez Y Gibaja. Esta afirmação não é corroborada por Júlio Núñez, filho de Pedro Núñez, em “Iverareta”, de sua autoria. Em nenhuma página o autor menciona que Soldati tinha vínculo com a empresa de seu pai e do sócio Gibaja.

 

²  Relata o pioneiro Eustáquio Prates Santander que a sua mãe nasceu na Linha Marrecas, no atual distrito rondonense de Margarida, filha do casal de argentinos Saturnina Benitez e (...) Figueiredo. E quando a Compañia de Maderas del Alto Paraná paralisou as atividades em Porto Britânia, o casal de avós maternos retornou à Argentina sem o neto e nunca saber em que localidade fixou residência. Ramona Benitez faleceu em 17 de março de 1984 e seu corpo foi sepultado no cemitério da sede municipal de Pato Bragado.

 

³ É natural da cidade paraguaia de Villa Rica, localizada entre as cidades de Encarnación e a capital Assunção, onde nasceu em 03 de setembro de 1903, filho de Leonarda (nascida Santander) e Manoel Prates. Chegou à localidade de Rio Branco motivado por desentendimento político-partidário com a família. Era simpatizante do Partido Colorado e os familiares eram do Partido Liberal. Por causa dessa desavença nunca mais visitou a família no Paraguai, exceto uma única vez por ocasião do falecimento de sua mãe, notícia que recebeu por rádio, informa Eustáquio.

O filho narra que seu pai Sandálio era capataz da destilaria no Rio Branco e também coordenador de manutenção em Porto Britânia, no tempo da Compañia de Maderas del Paraná, e no Porto Mendes, pertencente à Companhia Matte Laranjeira. Revela que seu pai falava fluentemente, além do espanhol, o português e o inglês. E que era homem de confiança dos diretores da empresa. Por ocasião da chegada dos revolucionários paulistas na região, a Maderas del Paraná o transferiu para a margem paraguaia e deixou aos seus cuidados todo o dinheiro.

Detalha também que na casa de seus pais somente era falado em espanhol (a mãe não sabia praticamente nada de português), assim como nas residências dos outros moradores locais, nos contatos intervicinais e com a empresa.

Sandálio Prates Santander faleceu em 30 de abril de 1993, na cidade de Pato Bragado, e seu corpo foi sepultado no cemitério da sede municipal.

Ver mais, clique aqui.

 

Era natural de Foz do Iguaçu, onde nasceu em 24 de novembro de 1915, filho de Jeronyma (de origem paraguaia) e Pedro Garcia( argentino). Casou-se com Carmen Medina (viúva que morava no Rio Branco), natural do Paraguai, filha de Trindade Medina e Matilde Chamorro (natural de Encarnación), nascida em 16 de julho de 1913 e falecida em Pato Bragado em 04 de fevereiro de 2000.

Ver mais, clique aqui.

 

Foi um núcleo urbano fundado pela Companhia Matte Larangeira e partir de 26 de abril de 1921 foi sede da administração da empresa (MAGALHÃES, 2013, p. 111.)

 

As informações aqui detalhadas são complementares à entrevista ou vice-versa.

 

Fontes consultadas:

 

1. NIEDERAUER, Ondy Hélio. Toledo no Paraná: a história de um latifúndio improdutivo, sua reforma agrária, sua colonização, seu progresso. 3ª edição. Toledo: Tolegraf, Impressos Gráficos Ltda. 2011, 408 p.

2. NÚÑEZ, Júlio. Ivirareta: País de Arboles. 3ª edição. Posadas: Ediciones Montoya. 1997. 180 p.

3. MAGALHÃES, Luiz Alfredo Marques. Retratos de uma Época: os Mendes Gonçalves & a Cia. Matte Laranjeira. 2ª edição. Campo Grande:  Gráfica e Editora Alvorada. 2013. 235 p.:Il: anexos.

4. RODOLFO, Allyne Mauymi et alli. Citrus aurantium L. (laranja-apepu) e Hovenia dulcis Thumb. (uva-do-japão): espécies exóticas invasoras da trilha do Poço Preto, no Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, Brasil. Nota científica. Revista Brasileira de Biociências. Porto Alegre: v. 6, supl. 1, p. 16 -018, set 2008, publicado em: <http://www.ufrgs.br/seerbio/ojs/index.php/rbb/article/view/1076/794 >. Acesso em 15.10.2019.

 

 

 

 

Compartilhe

COMENTÁRIOS

Memória Rondonense © Copyright 2015 - Todos os direitos reservados